A Microsoft deu um passo significativo no apoio à linguagem de programação Go, popularmente conhecida como Golang, com o lançamento de atualizações no seu build da versão 1.24, anunciado no início de fevereiro. Estas mudanças, focadas na conformidade com o padrão de segurança FIPS-140, mostram como a gigante tecnológica está a integrar cada vez mais esta linguagem, criada pelo rival Google, no seu ecossistema Azure. Mas o que significa isto para os desenvolvedores e para o futuro da computação em nuvem?
No dia 6 de fevereiro, a Microsoft publicou no seu blog "Microsoft for Go Developers" um artigo intitulado "A construção da Microsoft do Go 1.24 é lançada com muitas novas funcionalidades relacionadas a FIPS-140". Entre as novidades, destaca-se a introdução de variáveis de ambiente como GODEBUG=fips140=on, que tornam o Go mais seguro para aplicações sensíveis, e o suporte experimental ao macOS, utilizando frameworks como Common Crypto e CryptoKit. Estas atualizações visam alinhar o Go com requisitos de segurança exigidos por governos e grandes empresas, especialmente no Azure Linux 3.
Além disso, a Microsoft melhorou a compatibilidade com sistemas operativos como Windows e Azure Linux, usando bibliotecas criptográficas como o SymCrypt para OpenSSL. Segundo a empresa, estas mudanças são um sinal de compromisso com os desenvolvedores que procuram ferramentas robustas para projetos em nuvem.
O Go, lançado pelo Google em 2009, é conhecido pela sua simplicidade e eficiência, especialmente em sistemas distribuídos. A Microsoft começou a adotá-lo em 2018 para projetos no Azure e, desde então, tem vindo a expandir o seu uso. Um facto curioso? A extensão Go para o Visual Studio Code, editor da Microsoft, já foi descarregada mais de 12 milhões de vezes, mostrando a popularidade da linguagem entre os programadores que usam ferramentas Microsoft.
A criação do blog "Microsoft for Go Developers" em março de 2024 é outro indicador deste investimento. “Queremos ser um ponto de contacto para quem usa Go no nosso ecossistema”, escreveu a equipa da Microsoft no lançamento do blog. Este esforço inclui formação gratuita no Microsoft Learn e integração com o Azure SDK para Go.
Nem todos estão convencidos da aposta da Microsoft no Go. Alguns especialistas questionam se a linguagem é amplamente usada na empresa ou se está limitada a projetos específicos de engenharia em nuvem. “A Microsoft tem o C# como linguagem principal. O Go parece mais um complemento”, comenta um utilizador no Reddit. Apesar disso, as atualizações regulares e o upstreaming de correções para a comunidade Go sugerem um compromisso sério.
Para o futuro, espera-se que o Go 1.25, previsto para o final de 2025, traga suporte total ao modo FIPS exclusivo e mais plataformas, consolidando o papel da linguagem no Azure. “Estamos a trabalhar para que o Go seja uma escolha natural para quem desenvolve na nossa nuvem”, afirmou um porta-voz da Microsoft.
Apesar de ser uma linguagem do Google, o Go está a ganhar terreno na Microsoft de forma inesperada. A empresa não só mantém um build próprio do Go, mas também o promove ativamente como uma alternativa para desenvolvedores que procuram rapidez e escalabilidade – um exemplo de como a rivalidade tecnológica pode dar lugar a colaborações práticas.
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